16/07/2018 as 09:15

Thaís Bezerra

TB entrevista: Cristian Góes

Cristian Góes comoveu a categoria quando foi injustiçado por um comentário em texto impecável de jornalismo opinativo.


Competente, instruído e gentil em todas as circunstâncias, ele é exemplo de como as pessoas inteligentes e preparadas são simples e despretensiosas na sua índole, formação e caráter. Jornalista e doutor em Comunicação, presidente da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Sergipe, entidade que já presidiu, Cristian Góes comoveu a categoria quando foi injustiçado por um comentário em texto impecável de jornalismo opinativo – vítima de uma demonstração de ultrapassado coronelismo que TB não vai dar o cartaz de citar o nome, pois pessoas assim merecem ser esquecidas. Vamos conhecer alguns trechos da carreira deste erudito comunicador, que orgulha a nossa classe.

 

 

Thais Bezerra – Como ocorreu sua convocação para fazer parte da Comissão Nacional de Ética, que agora possui um integrante nosso, um sergipano?


Cristian Góes – A CNE é composta por cinco membros eleitos nacionalmente. Eu fui o sexto mais votado, tendo sido em todos os estados brasileiros. A maior votação proporcional, claro, foi em Sergipe. Porém, fiquei como primeiro suplente. Com a morte de Audálio Dantas, membro efetivo da CNE, em 30 de maio, acabei sendo convocado. Curiosamente, para mim, o Audálio sempre foi um farol de coragem, inteligência e resistência.

 

TB – Qual é a importância da Comissão Nacional de Ética?


CG - A CNE é um órgão independente, de segunda instância, com poderes para apreciar, apurar e julgar as denúncias de transgressões ao Código Nacional de Ética, come tidas por jornalistas.

 

TB - Aonde levaram você, os processos judiciais sobre liberdade de expressão em Sergipe?


CG - Levaram-me a reafirmar minha condição de jornalista que precisa e exige a liberdade de expressão, mas fisicamente ocorreu na CIDH da OEA, nos Estados Unidos; na Câmara dos Deputados em Brasília, na Comissão de Legislação Participativa, também debatendo o mesmo tema, e ainda em Recife e no Rio de Janeiro em eventos sobre Comunicação, Jornalismo e Liberdade de Expressão no Brasil.

 

TB – Como iniciou sua contribuição à pesquisa científica para gerar conteúdo próprio e bibliografia para novas consultas, sobre Jornalismo e Sensacionalismo?


CG - A pesquisa sobre Jornalismo e Sensacionalismo ocorreu em 2012 e 2013, no Mestrado em Comunicação da UFS, e o professor-doutor Carlos Franciscato foi meu orientador. Uma curiosidade é que eu sou da primeira turma do Mestrado em Comunicação da UFS, da qual sou o primeiro mestre. Foi o primeiro da minha turma a concluir o mestrado em janeiro de 2014 - e no mês seguinte ingressei no Doutorado em Comunicação da prestigiada UFMG, em Belo Horizonte.

 

TB – De que maneira você construiu o conteúdo da pesquisa sobre Jornalismo e a Experiência do Invisível?


CG - No Doutorado em Comunicação na UFMG, discuti o Jornalismo e a Experiência do Invisível, isto é, o jornalismo é o lugar da visibilidade, do falar, do mostrar. Minha tese vai discutir que esse lugar também constrói silêncios, apagamentos, esquecimentos, o não ver e o não falar, isto é, as invisibilizações. O caso concreto que estudei foram os 20 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), composta pelo Brasil, Portugal, Timor Leste (Ásia) e seis da África: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique e São Tomé e Principe.

 

TB – Como a construção da sua tese (doutorado) ampliou seu horizonte literário e universo de pesquisa?


CG - Bom, a tese me possibilitou passar um ano em Portugal estudando o jornalismo e a experiência do invisível, especialmente no tocante a CPLP - um ano extraordinário de estudos, aulas na Universidade do Minho, parcerias com pesquisadores portugueses e europeus. Também estive na França, Espanha e Itália em eventos e estudos. mas a base foi Portugal, onde eu estava com minha família e tive um fantástico coorientador, o catedrático professor Moisés de Lemos Martins, na cidade de Braga.

 

TB – Você vai permitir que o resultado da sua tese fique limitado ao ambiente científico?


CG - A tese foi defendida na UFMG em 14 de dezembro passado, aprovada com louvor e, nesse momento, estou em processo de sua reescrita - coisa de 320 páginas - para transformá-la em livro. De tédio a gente não morre.