01/04/2025 as 20:41
SERGIPE
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Nos últimos dias, pescadores da região da Maré do Porto da Areia, em Estância, relataram a presença de um peixe-boi-marinho nos locais conhecidos popularmente como Matinha, Tarara e Freitas. Trata-se de “Tupã”, um visitante já conhecido da região, que costumeiramente faz deslocamentos até a região do Complexo estuarino Piauí- Fundo-Real, divisa entre os estados de Sergipe e Bahia. A presença deste mamífero aquático na região está relacionada ao seu comportamento natural de exploração em busca de alimento, água doce e abrigo.
De tempos em tempos, “Tupã” visita seu amigo “Astro” – um peixe-boi-marinho que vive entre o litoral de Sergipe e da Bahia há mais de 27 anos. A primeira visita ocorreu em 2021, quando permaneceu na região por 17 dias. Geralmente, esses encontros acontecem durante o verão, com duração variável – a mais longa permanência foi de 26 dias, em 2022, enquanto as demais visitas costumam durar cerca de uma semana. Ambos são monitorados pelo Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho (PVPBM), realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos com o patrocínio da Petrobras e do Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Os peixes-boi marinhos são classificados como ameaçados de extinção pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a perda de habitat e o encalhe de filhotes são as principais ameaças. Além disso, é importante destacar que “Tupã” e “Astro” já foram atropelados por embarcações motorizadas diversas vezes, o que torna essencial a adoção de medidas preventivas para garantir sua segurança e bem-estar. Apenas “Astro” já atingiu a triste marca de 25 vezes ser atropelado.
Durante os últimos dias, a equipe técnica do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho (PVPBM) acompanhou atentamente a chegada e os deslocamentos de Tupã na região. O PVPBM já contatou os órgãos competentes locais e programou o envio de uma equipe à região para realizar ações de sensibilização junto à comunidade, orientando e esclarecendo dúvidas sobre a presença do animal e os cuidados necessários para sua conservação.
Alguns exemplares da espécie Trichechus manatus, popularmente conhecido como peixe-boi-marinho, são monitorados diariamente pelo PVPBM. Este acompanhamento é realizado através de monitoramento em campo com auxílio de um transmissor — dispositivo tecnológico que permite rastrear os animais via satélite e/ou via VHF (Very High Frequency), possibilitando a localização da espécie em tempo real.
O PVPBM solicita atenção redobrada aos condutores de embarcações motorizadas (barcos, lanchas, jet skis e afins): Antes de acionar o motor, verifique cuidadosamente ao redor da embarcação – a hélice em movimento pode ferir gravemente ou até matar o animal; Só ligue o motor quando houver certeza de que o animal não está nas proximidades; Ao avistar o animal durante a navegação, reduza a velocidade ou desligue o motor para evitar colisões; Não toque, não alimente, nem forneça bebida aos animais, mesmo que seja água.