21/07/2021 as 08:33

ECONOMIA

Vendas crescem 10,1% no 1º semestre

Esse foi o maior crescimento semestral desde 2010, disse a Serasa Experian

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De acordo com dados divulgados pela Agência Brasil, as vendas no comércio físico brasileiro cresceram 10,1% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, apontou o Indicador de Atividade do Comércio. Esse foi o maior crescimento semestral desde 2010, disse a Serasa Experian.

A alta foi puxada pelo setor de móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática, que cresceram 13,6% no período. Já a retração ocorreu principalmente nos setores de tecidos, vestuário, calçados e acessórios, com queda de 6,5% no período. Sobre o assunto, o economista Neidázio Rabelo recorda que o primeiro semestre do ano passado foi extremamente prejudicado pela questão sanitária.

Houve uma queda acentuada, e quando se compara esse ano com o mesmo período do ano passado, o resultado é expressivamente maior porque a base do ano passado estava reprimida. “Por conta do home office, e as aulas remotas, as famílias tiveram prioridade na melhoria de suas casas, seja construindo, ou comprando eletroeletrônicos, móveis e materiais de informática.

Foi dada prioridade das famílias sobre esses bens de consumo e menor para os bens de consumo chamados duráveis. Os semiduráveis, aqueles de consumo do dia a dia, como alimentação, vestuário e farmácia foram um pouco reprimidos, até porque o ano passado não houve dinâmica normal de moda, de lançamento de produtos, portanto, é natural que as famílias se voltem mais para se dedicar ao lar”, explicou.

Além disso, segundo Rabelo, a indústria dos bens semiduráveis é agregadora de mão de obra e também alavanca muito o financiamento, porque raramente as pessoas compram um computador, geladeira e fogão à vista, tem, mas é muito pouco, não passa de 5% das vendas. “A grande maioria dessas vendas são feitas em crediário, por boleto ou cartão de crédito, isso faz com que a família que optou por bens semiduráveis fique sem crédito por um tempo para comprar os de consumo imediato, ou seja, deixam de sair, de comprar roupas, de sair, porque o cartão já está sendo utilizado. Então, é compreensível, mas tem consequências porque a indústria dos semiduráveis é altamente dinâmica, empregadora que está voltando a empregar e produzir”, aponta.

Esse ano, pontua o economista, há uma projeção de crescimento de 5,5%, ou seja, o país deve crescer quase 2% a mais do que caiu ano passado. Isso significa dizer recuperação econômica. Possa ser que chegue ao final do ano próximo de 6% ou mais de 6%, um crescimento positivo em dois anos de 3%, quando o ano passado teve uma queda de 4%. “As perspectivas são muito boas, o emprego é o último agente da economia a se recuperar, mas também é o último a entrar em crise porque as pessoas só demitem quando não tem mais jeito.

Mas também só contrata quando não tem mais jeito também, porque primeiro vão oferecer hora extra para os funcionários, aumentar a carga de trabalho. A indústria dos semiduráveis e a indústria dos bens duráveis como imóveis, está crescendo mais, está acima do consumo imediato que é o setor de alimentos. Mesmo assim, os supermercados apresentaram crescimento na ordem de 6%. Esse ano de crescimento também é muito positivo, porque a economia cresce como um todo e o setor mais importante da economia é o setor de serviços. Agora, a partir do segundo trimestre do ano estão começando a ter uma resposta muito positiva e isso é muito bom”, finalizou.