03/03/2026 as 09:17

ENTREVISTA

Dr. Breno Amaral fala sobre saúde masculina

. Nesta entrevista, ele aborda os desafios de romper tabus, reforça a importância do autocuidado e explica como uma abordagem global pode transformar a saúde e a qualidade de vida dos homens.

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Urologista e andrologista com formação em instituições de referência no país, o Dr. Breno Amaral é graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com residência em Cirurgia Geral pela Universidade de Campinas (Unicamp) e especialização em Urologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Com atuação voltada à saúde do homem sob uma perspectiva integral, o médico defende o cuidado contínuo e consciente como base para desempenho, sexualidade e longevidade. Em um momento de reposicionamento da saúde masculina, Breno se diferencia ao ir além das consultas pontuais e das soluções imediatistas. Nesta entrevista, ele aborda os desafios de romper tabus, reforça a importância do autocuidado e explica como uma abordagem global pode transformar a saúde e a qualidade de vida dos homens. 

JC SOCIAL – Durante muito tempo, a saúde do homem foi tratada de forma fragmentada, quase sempre focada apenas em queixas pontuais. Por que ainda é tão difícil para muitos homens adotarem uma visão mais ampla e preventiva do próprio cuidado?

BRENO AMARAL - Trata-se, sobretudo, de uma questão cultural. Historicamente, o homem tende a procurar atendimento médico apenas quando surge um problema específico, diferentemente da mulher, que costuma manter um acompanhamento mais preventivo. Por isso, hoje temos estimulado os homens a irem ao médico de forma regular, mesmo na ausência de sintomas, para uma avaliação mais ampla. Quando atuamos de maneira preventiva e focada na promoção da saúde, é possível alcançar uma longevidade mais saudável, identificar problemas de forma precoce, corrigi-los a tempo e incentivar hábitos de vida mais saudáveis, promovendo mais saúde e menos doença. 

JC SOCIAL – Ao falar em saúde do homem, você propõe uma abordagem que vai além da próstata ou da testosterona. Que aspectos fazem parte desse cuidado integral e de que maneira essa visão ajuda a lidar com pacientes que chegam influenciados pelas redes sociais em busca de soluções rápidas, como a reposição hormonal?

BRENO AMARAL - É fundamental ter um olhar global para a saúde do homem. Embora muitos pacientes cheguem com queixas específicas, a solução raramente é simples ou restrita apenas ao sintoma. Um exemplo comum é a disfunção erétil, muitos acreditam que o tratamento se resume a medicamentos, injeções ou até próteses, quando, na verdade, a abordagem mais efetiva e duradoura costuma envolver mudanças no estilo de vida, como controle do peso, prática de atividade física, alimentação adequada, sono de qualidade e manejo do estresse. Dessa forma, melhora-se a circulação sanguínea e, consequentemente, a função erétil. O mesmo vale para a reposição hormonal. Sem um olhar integral, ou seja, uma visão 360° da saúde do homem, corre-se o risco de tratar apenas o problema, e não a sua causa. 

JC SOCIAL – O tabu ainda é um dos principais obstáculos quando o assunto é procurar um urologista ou falar abertamente sobre sexualidade, fertilidade e hormônios. Na sua avaliação, o que sustenta essa resistência e qual é o papel da informação e do diálogo nesse processo de mudança?

BRENO AMARAL - Muitos homens têm medo de adoecer e dificuldade em expor suas fragilidades, especialmente por se verem no papel de provedores da família, o que torna a ideia da doença algo delicado. Isso sustenta o tabu em torno do cuidado com a saúde. Sem espaços abertos para discutir que o homem também adoece e pode adoecer, esse silêncio se mantém. Por isso, tenho adotado uma abordagem mais ampla, especialmente no Novembro Azul, para ampliar o diálogo além do câncer de próstata. No consultório e em palestras, falo sobre sexualidade, libido, estilo de vida, performance e outros aspectos que estão diretamente interligados. 

JC SOCIAL – Procedimentos como o preenchimento peniano e os tratamentos hormonais ganharam mais visibilidade nos últimos anos e podem trazer benefícios quando bem indicados. Na prática clínica, o que ajuda o paciente a compreender a diferença entre cuidado médico responsável, focado em saúde e qualidade de vida, e o uso inadequado ou sem acompanhamento especializado?

BRENO AMARAL - A chave para qualquer tratamento médico, seja terapêutico ou estético, é buscar um profissional qualificado, que pratique uma medicina ética e baseada em evidências científicas. No caso da reposição hormonal, é fundamental diferenciar quem realmente precisa da testosterona, com ganhos significativos de qualidade de vida, daqueles que fazem uso de doses elevadas sem indicação, acumulando mais riscos do que benefícios. O acompanhamento médico adequado é essencial. Já em relação ao preenchimento peniano, por se tratar de um procedimento estético, a escolha de um profissional capacitado garante resultados naturais e segurança para lidar com eventuais intercorrências. 

JC SOCIAL – Muitos homens ainda adiam o autocuidado e só procuram ajuda quando o problema já está instalado. Diante desse cenário, que mensagem você considera essencial para estimular uma mudança de mentalidade e qual é o papel de profissionais que adotam uma abordagem mais humanizada e multidisciplinar na evolução da saúde masculina?

BRENO AMARAL - A primeira mensagem é que, como costumo explicar aos meus pacientes, precisamos cuidar do nosso corpo da mesma forma que cuidamos do nosso carro: de maneira preventiva e com atenção constante, afinal, o corpo é a nossa máquina. Quando fazemos revisões e mantemos um acompanhamento regular, as chances de ter uma saúde mais forte e duradoura são muito maiores. Além disso, acredito que a medicina e o cuidado multidisciplinar são fundamentais para alcançar resultados de excelência. O corpo humano é complexo, e uma abordagem integrada, envolvendo médico, nutricionista, psicólogo e educador físico, oferece resultados muito superiores à fragmentação do cuidado.