16/04/2026 as 18:07

PROJETOS CONTEMPORÂNEOS

Como escolher as persianas e telas solares

A arquiteta Isabella Nalon esclarece pontos importantes a serem observados para a instalação e orienta sobre a rotina de limpeza e manutenção dos itens

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Como escolher as persianas e telas solaresNo dormitório, a arquiteta Isabella Nalon elegeu a persiana romana - Foto: Julia Herman

A relação entre luz natural e conforto nos interiores ganhou protagonismo nos projetos contemporâneos, especialmente em ambientes mais expostos, como varandas e áreas envidraçadas. Se por um lado a iluminação natural contribui para o bem-estar e valoriza os espaços, por outro, quando em excesso, pode provocar desconforto visual, elevação da temperatura e desgaste precoce de móveis e acabamentos. Nesse cenário, persianas e telas solares deixam de ser apenas elementos complementares e passam a exercer um papel estratégico na regulação da luminosidade e na preservação dos ambientes.

Com mais de duas décadas de atuação na área, a arquiteta Isabella Nalon destaca que a escolha adequada desses sistemas exige uma leitura cuidadosa de cada espaço, considerando a incidência solar, o uso do ambiente e as características dos materiais. À frente do escritório que leva seu nome, a profissional reúne experiência em projetos residenciais e de interiores e defende soluções que conciliem desempenho técnico e estética, garantindo conforto e durabilidade no dia a dia.

Diferenças entre persiana e tela solar:
A profissional esclarece uma dúvida recorrente dos seus clientes: toda persiana possui proteção conta raios solares e ao calor? “A resposta é não”, revela detalhando que o tipo de bloqueio está ligado ao tipo de tecido ou material utilizado na confecção do produto.

Ou seja: os modelos com PVC, poliéster ou fibra de vidro apresentam essa característica, mas de acordo com Isabella, é necessário confirmar com o fabricante e consultar as especificações técnicas. Por outro lado, as persianas de tecidos mais comuns, tais como algodão e linho, por exemplo, não conseguem segurar adequadamente a entrada do sol.

“Salas e dormitórios, a depender do nível de incidência de sol, podem até ser compostas de cortinas com tecidos mais leves e naturais, sem a necessidade de tela solar”, detalha a arquiteta. No entanto, espaços como varandas, que recebem muita luz, demandam o emprego de materiais sintéticos e com tecnologia adequada.

Tipos de proteção
Quando o assunto é tela solar, os tipos de vedação correspondem à abertura e tamanho da trama e são escolhidas de acordo com a necessidade de cada ambiente. O modelo de 1%, com uma trama mais fechada é indicada para locais com sol recorrente e, segundo Isabella, o item não escurece completamente o ambiente, mas elimina os reflexos.

Já tela solar de 3% representa uma trama intermediária e uma certa visibilidade externa que a torna bastante requisitada em varandas de apartamentos e casas. Para completar, o porcentual de 5% é perfeito para ambientes cujo propósito é de apenas reduzir um pouco a luminosidade, uma vez que por lá o sol não acomete em grandes proporções. “E ela permite uma visão bem interessante do lado externo”, complementa a arquiteta.

Entretanto, a definição ainda pode contemplar os tecidos elaborados com blackout ou semi blackout que são encontrados em diversas cores. A dica compartilhada por ela é instalar as cortinas de forma que uma estejam sobrepostas à outra para impedir que o sol ultrapasse nas pequenas frestas, caso isso incomode o usuário.

Isabella ainda adiciona outra uma informação relevante. “Ao acender a luz à noite, quem está do lado de fora da residência consegue ver o que está acontecendo do lado de dentro, porém a situação se difere no período diurno quando a tela solar agrega mais privacidade”.

Varandas, fechamento de sacadas e harmonia
Isabella aconselha: quem mora em apartamentos precisa verificar e seguir as normas do condomínio em questão – principalmente quando o foco for a varanda, que tem maior visibilidade no prédio como um todo. A depender do local, pode ser que ocorra uma padronização entre os apartamentos com o intuito de que o resultado fique mais harmônico.

Altura e peso
“No caso de sacadas fechadas por vidro ou de janelas muito grandes, devemos definir a altura das persianas, pois essa informação impacta diretamente no peso e se será necessário fazer um reforço, caso o forro seja de gesso.” adverte a profissional detalhando que os fornecedores são capazes de realizar um cálculo prévio com base nas dimensões do local e no número de divisões.

Tecnologia
Para simplificar a rotina, a opção de incluir persianas automatizadas é uma excelente ideia. Segundo a arquiteta, o trabalho de instalação consiste em embutir um motor no forro e deixar um ponto de energia disponível. “O funcionamento é muito prático e pode ser acionado via controle remoto ou conectado pela Alexa”, conta.

Cuidados
Com relação à limpeza e manutenção das persianas, tudo vai depender do modelo escolhido. No entanto, cuidados básicos como o uso de espanadores, além da limpeza de rotina com água e sabão neutro são bem-vindos. “Mesmo assim, aconselha-se, uma vez por ano, a contratação de uma empresa especializada para realizar a higienização de forma mais efetiva”, diz Isabella.

Sobre a arquiteta Isabella Nalon
Com uma carreira sólida e experiência proveniente de mais de 25 anos de trabalho, Isabella Nalon percorreu uma trajetória de muitos estudos e pesquisas na área de Arquitetura e Decoração. Iniciou sua carreira atuando como arquiteta na Alemanha e, em 1998, inaugurou seu escritório em São Paulo. Se especializou em projetos arquitetônicos residenciais, comerciais e de decoração de interiores. Possui uma visão plural e ampla de diferentes culturas e públicos, o que se tornou um diferencial em seu percurso profissional. Cada projeto desenvolvido pelo escritório é único, com muita harmonia, elegância e criatividade. Frequentemente, tem obras reconhecidas e publicadas por renomados portais e revistas de arquitetura e decoração, consolidando o escritório na lista dos mais importantes da capital paulista.