04/06/2026 as 15:34
CALENDÁRIO LITÚRGICOMateriais como sal e serragem são sensíveis à água
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A chuva que caiu na madrugada desta quinta-feira (4) atrasou mas não tirou a animação dos fiéis que participaram da confecção dos tapetes da celebração de Corpus Christi no Centro do Rio de Janeiro. A festa tradicional é uma das mais importantes do calendário litúrgico da Igreja Católica.
Os fiéis tiveram que esperar um clima mais favorável para começar a montagem, que usa materiais como serragem, borra de café e arroz. O sal grosso é o principal ingrediente da festa, colorido por corantes para dar forma aos desenhos nos tapetes coloridos sobre o asfalto.
Neste ano, houve a inscrição de 100 tapetes, montados em uma extensão de 300 metros da Avenida Chile, em frente a Catedral Metropolitana de São Sebastião, no centro do Rio.
O número de tapetes é uma referência ao centenário da Obra de Adoração Perpétua. Por isso, o tema em 2026 é 100ª Semana Eucarística Eucaristia, unidade e missão - ‘Embora sendo muitos, formamos um só corpo’.
O Instituto Marielle Franco participou da montagem pela primeira vez. O tapete produzido por integrantes do Instituto tinha um girassol, como se estivesse brotando da silhueta da vereadora assassinada em março de 2018, junto com o motorista Anderson Gomes.
A advogada Marinete da Silva, mãe de Marielle, disse que a participação atendeu a um convite do cardeal do Rio, dom Orani Tempesta. Em 2026, a eleição da vereadora completa 10 anos.
Marinete contou que vem de família católica, desde as avós, e, por isso, considera relevante participar pela primeira vez da confecção dos tapetes.
“Vendo este Cristo vivo dentro da gente e mostrar para o mundo essa produção maior”, disse em entrevista à Agência Brasil, acrescentando que chegou um pouco depois de 4h da madrugada. “O tapete é uma tradição deste dia, e a gente traz o Instituto Marielle Franco com muita honra e a família, porque Antônio [o marido] está aqui com os jovens da Paróquia de Santa Rita”,
“É muito importante para a gente e dizer que a nossa fé nos mantém. Celebrar Corpus Christi é uma das celebrações mais bonitas e importantes da Igreja Católica. É o Cristo vivo nas ruas”.
O pai de Marielle, Antônio Francisco da Silva Neto, acompanhou a mulher e ajudou na produção do tapete.
A gestora da Escola Dom Cipriano Chagas, Ana Gabriela Malta, disse que o tema do tapete que estavam confeccionando com os alunos e as famílias era Um só coração, unidos na providência. Na instituição de ensino estudam 200 crianças de 3 a 11 anos, de dez comunidades de áreas de vulnerabilidade social na zona sul do Rio. O grupo não se deixou abater pela chuva.
“Trabalho em equipe é isso. É muito amor envolvido. Nosso primeiro valor é: amo o que faço. Acho que todo mundo que está aqui, as famílias e as crianças, colocaram muito amor. A gente começou a fazer o tapete às 8h30 e agora conseguiu fechar porque todo mundo ajudou um pouquinho”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Junto com os pais, o menino Rodrigo Lopes, de 12 anos, também estava participando da confecção de um tapete com o grupo da Paróquia Nossa Senhora das Dores, do Rio Comprido, na zona norte da cidade. Para ele, a experiência era novidade.
“Estou adorando. São muitos detalhes, eu sou desenhista e foi um pouco mais fácil”, revelou o menino que frequenta a paróquia todos os domingos e é coroinha.
O pároco da Catedral Metropolitana de São Sebastião e vigário episcopal para o Vicariato de Pastoral, cônego Claudio dos Santos, disse que a festa de Corpus Christi traz para cada fiel católico a oportunidade de dar um belo testemunho da sua fé que pode ser mostrado também na confecção dos tapetes.
“Não há, na confecção dos tapetes, nenhum igual ao outro. Os desenhos são todos diferentes. É assim que Deus vê cada um de nós. Somos diferentes, mas o senhor continua se servindo de cada um de nós, para esse testemunho da sua presença em nosso mundo”, apontou à Agência Brasil.