13/06/2022 as 08:26
ENTREVISTADe acordo com o pré-candidato, é preciso a “ampla unidade da esquerda” – tanto no cenário nacional como regional. Acompanhe a entrevista completa:
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Léo Péricles, pré-candidato à presidência da república pela unidade popular (UP), esteve em Aracaju para fortalecer o partido e dialogar com o povo. Na passagem pela capital, ele veio com o objetivo de defender o programa socialista em Sergipe. De acordo com o pré-candidato, é preciso a “ampla unidade da esquerda” – tanto no cenário nacional como regional. Acompanhe a entrevista completa:
JORNAL DA CIDADE - Como vem sendo o planejamento do partido nesse período de précampanha? Há diálogos com outras siglas? Por quê? Então, há possibilidade de alianças?
LÉO PÉRICLES – O planejamento da pré-campanha vem sendo bastante produtiva. Nós lançamos a pré-candidatura em novembro do ano passado no Congresso Nacional da UP depois de debates dos diretórios municipais, estaduais, o conjunto da militância em todo o país. Uma decisão unânime que o partido saiu coeso para fazer encarar esse enorme desafio que é desenvolver uma grande campanha nacional para disputa da presidência da república. Esse trabalho vem sendo desenvolvido através de uma caravana que se iniciou em janeiro. Uma caravana que já percorreu 12 estados do Brasil. Estou fazendo a segunda rodada pelo Nordeste. Estive na Paraíba, Alagoas, agora em Sergipe e vou a Pernambuco finalizar essa segunda rodada. Depois volto para o Sudeste, que tenho agenda lá – em São Paulo, vou ao Centro-Oeste em Brasília, retorno para o Rio de Janeiro e continuo essa caravana até chegar aos 27 estados da federação. Nós defendemos ampla unidade da esquerda para derrotar o fascismo e consideramos que essa unidade deve se dar principalmente nas lutas populares e eu quero ressaltar essa unidade com a esquerda. Para derrotar o fascismo e a extrema direita no Brasil e essa unidade tem que se dar nas lutas populares, isso é o principal. É tanto que estamos convocando uma grande reunião para o dia 13 de junho, em São Paulo. Convidando todos as principais organizações partidos, movimentos populares do Brasil e essa reunião nós queremos convocar uma nova jornada de lutas em defesa das liberdades democráticas que estão sendo atacadas por esse governo Bolsonaro e esses generais e banqueiros. Uma jornada que lute contra o desemprego, a fome e a miséria. Ou seja, em defesa dos direitos da classe trabalhadora e do povo e para que esses generais que já impuseram ditadura no Brasil a gente possa gritar bem alto: “ditadura nunca mais”. E que eles não tenham o poder de caçar o voto de milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadoras, que é o que eles objetivam, tentam dar um golpe, né? Junto com o Bolsonaro já algum tempo. E a nossa luta nas ruas deve ser para deter qualquer escalada golpista no nosso país.
JC - Quais são as principais propostas que deverão ser defendidas?
LP – Nós estamos resgatando um programa de mudanças estruturais de base socialista para o Brasil. Mudanças essas que jamais foram – principalmente essas reformas estruturais que jamais foram implementadas na história do Brasil. Nós consideramos que o Brasil nessa profunda crise econômica que se encontra não sai dela sem grandes investimentos na nossa economia. Então, nós propomos dois lugares para tirar dinheiro para investir nas áreas sociais e gerar milhões e milhões de empregos. Primeira é a dívida pública, de suspender o pagamento da dívida pública, que ela consome metade do orçamento todos os anos com pagamento de juro, amortização e refinanciamento de uma dívida que já foi paga várias vezes, segundo vários especialistas. Uma dívida que o estado brasileiro contraiu que não foi para beneficiar o povo brasileiro. Não foi pra construir hospitais, escolas, universidades, para resolver o saneamento, foi uma dívida que ela atende aos interesses dos banqueiros no sistema de agiotagem nacional internacional. Então, nós propomos suspender e seguir a Constituição, fazendo a auditoria dessa dívida e auditoria saber se deve ou não. Os grandes especialistas que estudam o tema mostram que essa dívida já foi paga várias vezes. Portanto, pegar esses bilhões que são gastos com júri e amortização e investir nas áreas sociais. Junto disso, realizar outra medida que está prevista na constituição que é a taxação das grandes fortunas. Nós estamos falando de um país que menos de um por cento da população é muito rico, em especial os milionários e os bilionários, né? Então, nós estamos falando de cerca de 300 mil pessoas num país de 210 milhões de pessoas que têm que ser taxadas, principalmente, para gente ter bilhões e bilhões para investir nas áreas sociais. C o m e s s e i n v e s t i m e n t o , nós queremos investir em Educação e Saúde 100% públicas. Esse investimento permitir concurso público para milhares de trabalhadores assumirem e fortalecer o SUS e Educação em todos os níveis; fazer frentes emergenciais de trabalho gerando emprego para milhões de trabalhadores e trabalhadoras, principalmente na área de saneamento e de infraestrutura dos bairros pobres para impedir que as pessoas morram em período de chuvas com enchente para que as pessoas tenham casas e tenham seus direitos – inclusive, a Saúde garantida. Essa é uma das grandes propostas nossas para gerar emprego nesse país. E construir moradia. Aproveitar o que está pronto, esses prédios aí em grande quantidade abandonados nos centros das grandes cidades ser usados e readequados para moradia e também aquilo que precisar fazer a construção também de moradia populares. Os recursos oriundos somente da dívida pública permitem fazer milhões de casas nesse país.
JC - O Unidade Popular é um partido de esquerda, mas o que diferencia dos demais?
LP – Unidade Popular é um partido de esquerda que se propõe a resgatar essas bandeiras que boa parte – para não dizer todos os partidos – abandonaram. Nós somos um partido que nasce a partir do trabalho de periferia. Coisa também que boa parte abandonou nos últimos anos, o chamado trabalho de base, o pisar no barro, visitar as pessoas, o conversar com as pessoas, o bater de porta em porta, o trabalho de formação política, o trabalho de edificação e fortalecimento de um movimento popular que tenha como centro o enfrentamento aos muito ricos nesse Brasil. Essas elites dos banqueiros, do agronegócio, do latifúndio, das mineradoras, das grandes empresas no Brasil. Sem enfrentar e derrotar esses setores é impossível a gente ter um país que esteja, toda essa riqueza desse país tão rico, a serviço da maioria do povo. Então, nós estamos num país muito rico com um povo submetido a pobreza. Então, nós entendemos que a gente tem que inverter essa ótica através de um grande trabalho de base junto a classe trabalhadora, também na porta das empresas das fábricas, nas escolas, nas universidades, enfim, aonde está o povo pobre e trabalhador desse Brasil explorado e oprimido nas grandes cidades e também no interior.
JC - Em Sergipe, qual objetivo da visita?
LP – Fortalecer o nosso partido. Dialogar com o povo sergipano. Fortalecer um programa socialista para o nosso estado também. Nosso objetivo é conversar com o conjunto da classe trabalhadora e organizar melhor o nosso partido em todos os municípios.
JC - A UP vai apresentar nome para pré-candidatura ao Governo do Estado? Por quê?
LP – Nós vamos lançar o camarada professor Aroldo Félix. Avaliamos que é muito importante fazer essa disputa estadual. Tem um programa regional socialista para o nosso Estado. Então, o ponto é fortalecer uma campanha nacional como regional. Essa campanha para o governo do Estado para nós é muito importante tendo em vista que nós não temos um programa socialista defendido amplamente pelos pré-candidatos ao governo.
JC - Como o senhor analisa o atual cenário político do país?
LP – O atual cenário político do Brasil é marcado por um governo de orientação fascista, nazifascista que junto com os generais e banqueiros tenta restringir a já frágil democracia que nós temos. Inclusive, implementar um golpe no nosso país ou aprofundar o golpe que está em curso uma vez que a gente vive um golpe desde 2016. Um golpe institucional que também pode se tornar um golpe militar dependendo da correlação de forças na sociedade. E o governo Bolsonaro, embora não tenha maioria na sociedade para fazer isso, tenta permanentemente atentar contra essa já frágil democracia. Essa conjuntura é também de uma crise econômica muito profunda que leva ao desemprego, a fome, a miséria, milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Nós, para dar esse cenário, precisamos ter um movimento popular muito forte. Nós entendemos que não é nos aliando ao centrão e a setores da direita – uma vez que o centrão também é uma direita fisiológica anti-povo, que vota leis permanentemente anti-povo. Não é nos aliando ao inimigo que nós podemos derrotar o inimigo. Nós, para conseguirmos derrotar esses dois setores, que são irmãos siameses, tanto a direita quanto os fascistas, nós precisamos buscar aliança com o povo brasileiro. O tipo de governabilidade que existe atualmente a governabilidade burguesa e não serve ao povo brasileiro. Nós precisamos estabelecer uma governabilidade popular. Uma governabilidade onde o povo seja o agente central. E n t ã o , n ó s d e f e n d e m o s governar com os deputados, que a gente conseguir eleger no Congresso Nacional, mas principalmente com o povo participando ativamente d a s d e c i s õ e s d e c i d i n d o sobre orçamento através de plebiscitos, decidindo inclusive a revogação de leis que foram aprovadas contra o interesse da maioria do povo como a Emenda Constitucional 95 àquela que congelou investimento em saúde e educação por 20 anos, que é conhecida como teto de gasto. Teto de gasto precisa acabar no Brasil porque a gastança acontece é com os banqueiros, sempre aconteceu. Nós defendemos que tenha agora investimento é no povo brasileiro, para isso tem que acabar com o tempo de gasto. E isso tem que se convocar um referendo revogatório e acabar com isso, acabar a reforma trabalhista da previdência porque foi um dos maiores engodos, que nós já tivemos na nossa história. Disseram que ia gerar emprego tirando direito e tanto o Temer quanto o Bolsonaro pioraram trouxeram um dos piores índices de desemprego da nossa história. Nós propomos que toda essa riqueza, esse orçamento do Brasil, deve servir ao povo brasileiro. E o povo votando orçamento, e não só 513 deputados junto com meia dúzia de banqueiro, mas o povo participando ativamente dessa decisão nós podemos tirar o Brasil dessa profunda crise que se encontra. Nós defendemos do fundamental, fortalecer as condições para gente chegar no socialismo no Brasil. O único sistema que nunca foi implementado aqui no Brasil, né? Nós já vivemos monarquia, deu um desastre para o Brasil, nós já tivemos duas ditaduras no Século XX que aumentaram a dependência do Brasil, a capital internacional e também foram grandes desastres porque torturaram, assassinaram milhares de brasileiros e brasileiras, povos indígenas, povos tradicionais, presos políticos, né? Torturouse até crianças e foi a ditadura. Então, não é um modelo que serve ao povo brasileiro, já se implementou muito capitalismo, neoliberalismo nesses últimos anos, todos os governos pós ditadura aplicaram medidas neoliberais – em especial Temer e agora Bolsonaro e deu em fome, miséria, pobreza. Então, também esse não é o caminho. Nós consideramos que o único sistema não aplicado é o socialismo e consideramos que a maioria do povo quer como diz em todas as pesquisas, saúde, educação e segurança. O sistema que tem melhores condições no planeta para garantir isso para todo seu povo, chama-se socialismo. E a Unidade Popular é uma defensora ferrenha das condições do povo poder governar esse país ser dono das riquezas desse país, uma vez que esse povo que constrói as riquezas que nós temos nessa grande nação.
|Por Mayusane Matsunae
||Foto: Divulgação