27/08/2026 as 10:26
TRANSPORTEA redução da frota disponível e a necessidade de reorganização das linhas aumentaram o tempo de espera nos pontos e expuseram, mais uma vez, as fragilidades do sistema.
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA
O transporte público de Aracaju voltou a ser tema de cobrança na Câmara Municipal nesta quinta-feira, 27. Da tribuna, o vereador e candidato a deputado federal Breno Garibalde criticou a falta de transparência no sistema e defendeu a realização da licitação do transporte público como medida necessária para solucionar problemas que, segundo ele, se repetem independentemente da gestão municipal.
O pronunciamento ocorre em meio à recente crise envolvendo a operação do transporte coletivo na Grande Aracaju, após a saída da VRS, que deixou de operar linhas e provocou mudanças no atendimento aos passageiros. A redução da frota disponível e a necessidade de reorganização das linhas aumentaram o tempo de espera nos pontos e expuseram, mais uma vez, as fragilidades do sistema.
Para Breno, a situação é consequência de um problema estrutural que se arrasta há anos. “Tudo isso está acontecendo por conta da falta de licitação do transporte público. Uma pauta que a gente defende aqui já há muito tempo. Pode ter prefeito A, prefeito B, enquanto a gente não resolver o problema da licitação, esses problemas vão continuar acontecendo”, afirmou.
O vereador também cobrou mais transparência sobre as decisões relacionadas ao sistema e destacou a necessidade de considerar os passageiros e trabalhadores durante processos de mudança nas empresas responsáveis pela operação.
“Mas as pessoas precisam saber como seu dinheiro está sendo investido. Os trabalhadores precisam ter garantias, precisam ter respeito”, declarou. Segundo Breno, decisões que envolvem a retirada ou substituição de empresas não podem ser tomadas apenas nos gabinetes, sem comunicação adequada à população e planejamento para garantir a continuidade do serviço.
Ao comentar especificamente a saída da VRS, o parlamentar reconheceu os problemas enfrentados pela empresa, mas questionou a forma como a transição foi conduzida. “A VRS estava ruim, os ônibus estavam caindo aos pedaços. Mas é assim que se resolve, sem avisar, sem comunicar, sem mostrar às pessoas como é que vai ser feita essa transição?”, questionou.
Breno também criticou o aumento no tempo de espera dos passageiros e voltou a defender mudanças mais profundas no modelo de transporte. Ele citou ainda a discussão judicial envolvendo a cobrança de duas passagens em determinados deslocamentos, em referência à atuação da SMTT para manter a chamada “catraca dupla”.
“Enquanto a gente devia estar lutando por tarifa zero, a SMTT está recorrendo da Justiça para catraca dupla no sistema de transporte. É esse tipo de política que a gente continua acreditando? É esse tipo de política que vocês ainda querem ver?”, questionou.
Para o vereador, a crise do transporte é um exemplo de como decisões públicas precisam colocar as pessoas no centro das políticas. “A gente precisa fazer política para as pessoas, olhando para o outro, se colocando no lugar do outro”, afirmou.
Em tom de desabafo, Breno alertou sobre a necessidade de mudar a forma de fazer política e defendeu uma atuação mais voltada às necessidades da população. “Dá para a gente ter uma cidade melhor, dá para a gente ter um meio ambiente melhor, dá para a gente ter um transporte melhor. Mas isso precisa de políticos que se coloquem no lugar do outro”, concluiu.