11/06/2021 as 08:20

COVID-19

Infectologista alerta para a importância da vacinação

Pesquisa aponta queda de 80% no número de mortes após segunda dose

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O Brasil entrou o mês de junho com pouco mais de 22 milhões de pessoas completamente imunizadas com as duas doses das vacinas contra a Covid-19. E isso, segundo os números do Ministério da Saúde, indica que quase 22% da população tinha recebido, até o dia 1º, ao menos uma dose e cerca de 10% a segunda. No entanto, para que se tenha uma vacinação verdadeiramente eficaz, é necessária uma cobertura vacinal mais ampla, com cerca de 70% da população com as duas doses aplicadas.

Uma pesquisa realizada no município de Serrana (SP), com a vacina CoronaVac do Butantan, indicou que o número de casos sintomáticos da Covid-19 caiu 80%; as internações, 86%; e as mortes, 95% após a segunda dose da vacina. A estimativa é que seja necessário 75% da população adulta vacinada com as duas doses no país, para que as regras de distanciamento, uso de máscaras e de álcool em gel sejam finalmente afrouxadas.

Agora, a grande preocupação dos especialistas é que a vacina, que veio para trazer esperança, possa criar uma falsa sensação de que o pior já passou. Além disso, muitos brasileiros não querem se vacinar. A atitude, portanto, pode prejudicar a cobertura vacinal tão esperada.

A infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Fabrizia Tavares, pontuou que a prevenção de doenças infectocontagiosas, como a Covid-19, especificamente, por ser uma doença imunoprovenível com uma cobertura vacinal, é imprescindível que as pessoas tenham tranquilidade com a experiência que o país tem com o Programa Nacional de Imunização em relação às doenças que hoje estão erradicadas por conta das vacinas. “A Covid-19 é uma doença em que a gente tem uma quantidade considerável de vacinas, obviamente com plataformas diferentes, ou seja, com fábricas diferentes, mas com o mesmo objetivo, que é evitar quadros graves, internamentos e evitar óbitos. O maior objetivo é minimizar os efeitos da pandemia. E já vê estudos demonstrando que as vacinas então vigentes no Brasil e no mundo, estão sim evitando essa progressão, ou seja, reduzindo de forma importante”, citou.

Tavares destacou que para que haja a redução dos óbitos e casos graves, é importante que as pessoas tenham conhecimento de que existem esquemas específicos vacinais. E para a da Covid-19 não poderia ser diferente. Ou seja, qual o esquema vacinal hoje? A ciência só considera o indivíduo imunizado quando ele completa as duas doses da vacina. Um esquema incompleto não considera o paciente imunizado.

“E para que se tenha significância no número de casos e óbitos, precisa-se de uma cobertura vacinal, ou seja, que pelo menos 70% das pessoas estejam vacinadas. Dessa forma, haverá redução nítida por procura de leitos e óbitos. Quando a gente tem uma cobertura vacinal significativa, ou seja, quando uma grande maioria das pessoas tiverem o esquema vacinal completado com as duas doses, é que sentiremos a redução dos casos”, chama atenção a médica.

A infectologista reforça a importância de que a população tenha consciência de que as vacinas já autorizadas de forma emergencial pelas agências reguladoras nos países, devem ser, sim, preconizadas e utilizadas, mesmo sendo de plataformas diferentes. Vale frisar que todas já garantidamente em estudos já posteriores, mostrando uma redução significativa nas internações e casos graves. Tanto da CoronaVac, Pfizer e AstraZeneca e agora com a Sputinik que já está entrando no país. “A gente precisa ter a consciência que independente da vacina, do tipo de vacina, é preciso que a pessoa se imunize. As três vacinas hoje circulando no Brasil e aqui em Sergipe também. Não existe hoje uma vacina melhor que a outra em termos de redução significativa de número de casos moderados a graves e óbitos, todas demonstraram resultado benéfico e significativo”. A médica pontua ainda que as vacinas foram produzidas para minimizar os números de quadros graves e óbitos por Covid.

No entanto, não se viu a eficácia em relação a não transmissibilidade do vírus, o que é chamado de esterilização do indivíduo. Então, a circulação do vírus persiste, mesmo a pessoa estando vacinada, podendo transmitir para outra pessoa. “A vacina garante que o indivíduo, no momento que for infectado, reduza de forma importante o risco de evoluir para um quadro grave e possível óbito. Mas esse indivíduo infectado, mesmo vacinado, pode transmitir. Por isso, precisamos garantir que a grande maioria, ou seja, a cobertura vacinal, para que se minimize esses quadros importantes. Então, a gente pede que mesmo com as duas doses, mesmo a pessoa com o esquema vacinal completado, continue utilizando as medidas de prevenção”, alertou a infectologista.

A médica ainda completa. “Então, a esperança está no fato de que vamos reduzir de forma drástica, importante, como já se vê em países com a cobertura vacinal muito mais avançada que a nossa, com redução no número de óbitos, inclusive no número de casos novos diagnosticados de Covid. Também tem minimizado bastante a procura por unidades de saúde e internamentos. A gente precisa fazer com que as pessoas se vacinem para diminuir a estatística, diminuir esse número de quadros novos de covid e os quadros mais graves e óbitos pela doença”.

|Reportagem: Grecy Andrade/Equipe JC
|Foto: André Moreira