27/09/2021 as 09:02

ENTREVISTA

TB entrevista Juliane Seabra Garcez

Profissional atuante e reconhecida é Diarista da Unidade Cardiovascular do Hospital São Lucas, Responsável pelo Serviço de CardioOncologia do Hospital São Lucas rede D`Or São Luiz, Clínica Vitta e Núcleo de Oncologia de Sergipe

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Vamos entrevistar a Dra. Juliane Seabra Garcez, médica cardiologista preparada e competente. Graduada na Universidade Federal de Sergipe – UFS. Com Residência de Clínica Médica na Unicamp/SP; Residência de Cardiologia no Instituto do Coração – Incor/USP; Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB; Pós-Graduação em CardioOncologia no Brazilian Clinical Research Institute (BRCI)/ Universidade de Duke (EUA).

Profissional atuante e reconhecida é Diarista da Unidade Cardiovascular do Hospital São Lucas, Responsável pelo Serviço de CardioOncologia do Hospital São Lucas rede D`Or São Luiz, Clínica Vitta e Núcleo de Oncologia de Sergipe (NOS). Consultar o seu médico de cuidados primários para o seu exame físico anual ou porque você está sendo atacado com um caso de gripe é uma coisa.

Visitar um cardiologista pela primeira vez para possíveis problemas cardíacos é outra. A doença cardíaca é a principal causa de morte no Brasil para homens e mulheres, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças: Cerca de 610.000 pessoas morrem de doenças cardíacas no Brasil anualmente.

THAÏS BEZERRA - Existe uma idade ideal para a primeira consulta ao cardiologista?
JULIANE SEABRA GARCEZ - A doença cardiovascular é a principal causa de morte no Brasil e no mundo, tendo em vista esse panorama as mais importantes sociedades de Cardiologia do mundo recomendam que de uma forma geral para estratificação de risco cardiovascular global deve-se iniciar investigação entre 30 – 40 anos de idade e a partir da primeira avaliação, o cardiologista irá definir a rotina de seguimento. Temos evidência robusta que controlando peso, pressão arterial, colesterol e praticando atividade física regular pode-se reduzir as taxas de doença cardiovascular.

TB - O que é necessário fazer no dia a dia para a saúde do coração?
JSG - Algumas medidas podem ser incorporadas a nossa rotina para prevenir e controlar fatores de risco para doenças cardiovasculares. Tais como: cessar tabagismo, se necessário com o uso de medicamentos, adotar padrões alimentares considerados saudáveis como a dieta do tipo DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) e do Mediterrâneo que foram capazes de reduzir doenças cardiovasculares, sendo o efeito atribuído ao maior consumo de frutas, hortaliças, laticínios com baixo teor de gordura e cereais integrais, além de consumo moderado de oleaginosas e redução no consumo de gorduras, doces e bebidas com açúcar e carnes vermelhas. Realizar, pelo menos, 150 minutos por semana de atividade física moderada, devendo ser estimulada ainda a redução do comportamento sedentário, levantando-se por 5 minutos a cada 30 minutos sentado. Manter o peso com Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo 25. Além de medidas para controle do estresse como meditação, ioga, musicoterapia.

TB - Quais são os sintomas típicos de uma doença cardíaca?
JSG - Os sintomas típicos são dor ou desconforto no peito desencadeado pelo esforço físico ou emocional, falta de ar, cansaço, tontura com ou sem desmaio, palpitações, inchaço nas pernas, tornozelos ou pés. Entretanto, em grande parte da população como mulheres, diabéticos, idosos a apresentação dos sintomas não é clássica e os sintomas podem mimetizar alterações gastrointestinais, por exemplo. Como a maioria das doenças cardiovasculares desenvolvem-se ao longo do tempo, a avaliação cardiológica se impõe como uma ferramenta para diagnóstico precoce.

TB - O que pode ser feito para combater doenças cardíacas?
JSG - De uma maneira geral manter hábitos de vida saudáveis como: prática de atividade física regular, não fumar, controlar ganho de peso, dieta rica em verduras e hortaliças, pobre em gorduras trans e saturadas. Além de controle rigoroso dos fatores de risco classicamente ligados a doença cardiovascular como hipertensão arterial, colesterol, diabetes e tabagismo. O seguimento regular com cardiologista é imprescindível para ajuste e controles dessas doenças.

TB - Como a história familiar de um paciente afetará no diagnóstico?
JSG - Pacientes que possuam história familiar de doença cardiovascular prematura (homens < 55 anos e mulheres < 65 anos) em parentes de 1º grau devem procurar avaliação com Cardiologista para prevenção e controle de fatores de risco associados a doença cardiovascular a fim de evitar eventos cardiovasculares precoces como infarto agudo e acidente vascular cerebral (AVC).

TB - Existem atividades que devem ser evitadas por um paciente cardíaco?
JSG - Todo paciente que tem doença cardíaca diagnosticada deve procurar seu cardiologista para a orientação de qual intensidade de atividade física pode praticar, e de forma ideal em conjunto com Educador físico, Fisioterapeuta, em decisão multidisciplinar, possa ser traçado plano de atividade física eficiente e seguro. Algumas miocardiopatias exigem limitação de esportes de alta performance ou competitivos, entretanto orientação deve partir de uma avaliação minuciosa com o cardiologista. O objetivo principal desta avaliação, realizada previamente ao início do exercício e periodicamente, é a prevenção do aparecimento de sintomas e complicações cardiovasculares durante a prática dos exercícios.

TB - E sobre o colesterol, o grande medo de muita gente, o que você teria a esclarecer?
JSG - O colesterol alto representa importante fator de risco cardiovascular, sendo que uma de suas frações conhecida como lipoproteína de baixa densidade colesterol (LDL-c) é o mais relevante fator de risco modificável para doença arterial coronariana. De fato, existe ampla evidência de estudos clínicos com medicações que diminuem o colesterol como as estatinas, demonstrando que níveis mais baixos de LDL-c se associam à redução proporcional de doenças cardiovasculares, incluindo infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte