27/06/2022 as 11:00

ENTREVISTA

TB Entrevista André Brito

André acumula mais de duas mil horas de práticas entre retiros e treinamentos sobre meditação; Mais de 800 alunos já participaram dos seus programas presencialmente e online

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TB Entrevista André Brito

O nosso entrevistado hoje é André Brito, Instrutor de Mindfulness certificado pelo Centro Brasileiro de Mindfulness – UNIFESP/SP; Facilitador de Programas de Compaixão formado pelo Instituto Cultivo (México); Terapeuta em formação na terapia para cura do trauma (SE - Somatic Experiencing); Graduando em psicologia e fundador do perfil (@ olharpradentro) no Instagram.

André acumula mais de duas mil horas de práticas entre retiros e treinamentos sobre meditação; Mais de 800 alunos já participaram dos seus programas presencialmente e online. Profissional carismático, leve, focado e bastante competente no seu trabalho, amplia conhecimentos para fazer o melhor pelos pacientes, alunos e os participantes dos retiros que realiza. Rede social para contato: @olharpradentro no Instagram. Vamos ao bate papo. Foto: Alê Alcântara

THAÏS BEZERRA - Como foi o seu encontro com uma vida focada na atenção plena, no processo de mindfulness?
André Brito - Quando eu atuava na publicidade, vivia uma vida muito acelerada. Em um certo momento, me questionei sobre o propósito de viver daquele jeito. Então, um dia, antes de saber qualquer coisa sobre mindfulness, encontrei os ensinamentos sobre presença plena e consciência no budismo. Assim tudo começou e não parei mais de estudar.

TB - Como melhorar nossos hábitos mentais?
AB - Eu poderia puxar a sardinha para a meditação, pois essa ferramenta tem sido muito eficiente em diversos contextos. No entanto, acredito que as pessoas precisam aprender a se perceberem melhor. A olhar para os hábitos não saudáveis e buscar entender porque é desse jeito. Isso pode levar tempo e, muitas vezes, seria melhor ter a ajudar de um profissional.

TB - Qual a melhor maneira de aprender a meditar?
AB - Aprendendo, primeiramente, a não se cobrar tanto. Muita gente não passa das fases iniciais da meditação porque o senso de autocrítica delas é enorme. Claro, existem outros fatores que atrapalham, como, por exemplo, a desinformação, como se meditação fosse uma técnica só para relaxar ou para evitar os problemas. Resumindo: se cobre menos quando for meditar e procure alguém que possa te ajudar no início.

TB - Como manter a consciência no momento presente e não deixar a mente tagarelando e oscilando entre passado e futuro?
AB - As práticas de mindfulness são excelentes aliadas para que se viva uma vida com mais presença, uma vida por inteiro. Aqui, é importante não associar as práticas de mindfulness apenas à meditação. Existem também exercícios e técnicas que podem ajudar a desenvolver essa consciência e assim ter uma vida com mais clareza.

TB – Quais as evidências científicas sobre o poder da atenção plena?
AB - Já existem muitos estudos científicos que demonstram a eficácia de mindfulness em diversos campos. Na área da saúde, por exemplo, há evidências no tratamento da ansiedade, da depressão, da fibromialgia e de outras doenças crônicas. É importante ressaltar contudo que, mindfulness não é uma panaceia que serve para tudo e para todos indiscrimidamente. O mais importante, no meu ponto de vista, é entender as abordagens de mindfulness como complementares e procurar um profissional que possa ajudar na compreensão disso no dia a dia.

TB - Vivenciamos um momento de muitas cobranças externas o que aumentam a autocrítica. Na sua opinião, como lidar com as cobranças e julgamentos?
AB - Vivemos em uma sociedade do cansaço, como dito por Byung-chul Han, filósofo sul-coreano radicado em Berlim. Há cobrança para todos os lados e as pessoas não aprenderam a olhar para além da autoimagem, da visão que elas têm de si mesmas. Para piorar, a busca por sucesso, fama, dinheiro, etc, só colabora para que essa autocrítica aumente. Essa é a sistemática da ganância, e as pessoas estão presas nessas armadilhas, nas armadilhas do ego, da vaidade. Assim, minha resposta simples poderia ser: “conheça-te a ti mesmo”, não se compare com ninguém e vá em busca da sua liberdade. O caminho é para dentro e precisa ser caminhado.

TB - Na sua análise quais os maiores conflitos de um ser humano no mundo atual?
AB - O materialismo. Os humanos se apegam à matéria de um jeito tal que quase não consegue perceber a impermanência disso tudo. No fim da vida, despecam em desespero por não terem cultivado aquilo que era mais importante.

TB - E para finalizar, ainda existe tabu para fazer terapia?
AB - Proponho mudar o nome de tabu para negação ou resistência. Está mais que provada a importância das psicoterapias para a saúde mental. O que acontece ainda, no meu modo de pensar, é que as pessoas não querem olhar para suas dores, para suas feridas, de modo a compreendê-las. Há um imediatismo, Uma vontade apenas de se livrar do que incomoda, sem querer nem saber o porquê incomoda.