11/05/2018 as 11:15

EDITORIAL: Um novo governo

O governador Belivaldo Chagas (PSB) dá sinais de que pretende realizar um governo com a sua cara.


O governador Belivaldo Chagas (PSB) dá sinais de que pretende realizar um governo com a sua cara e não com a de seu antecessor, embora, que fique claro, sem nenhum interesse em romper com o ex-governador Jackson Barreto (MDB). Quer fazer uma gestão que o projete e até viabilize a reeleição em 7 de outubro próximo.

Chagas assumiu o comando do Executivo estadual no dia 7 de abril e dentro de um quadro de “governo tampão” transferiu Josué Modesto da Sefaz para a Seed, colocou Ademario na Secretaria da Fazenda, exonerou Heleno Silva (PRB) da chefia do Escritório de Sergipe em Brasília e tirou Francisco Dantas da Adema, cargo que está sendo acumulado pelo secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Olivier Chagas.

Na manhã de anteontem, o governador surpreendeu a todos quando chamou o então secretário de Estado da Saúde, José Almeida Lima, para uma breve conversa e o dispensou do comando da pasta. Muita gente – de dentro e de fora do governo – queria que Belivaldo Chagas fizesse isso. Mas ele queria mais que todos eles se ver livre do primo do ex-governador Jackson Barreto.

Esse desejo nada tem a ver com Jackson, mas sim com o estilo de governar de Belivaldo, que não engolia a presença de um subordinado fazendo uma espécie de governo paralelo. Na verdade, Almeida, com seu jeito mandão e com o desejo de ser o poderoso chefão do governo, somente conseguiu se expor demasiadamente e se queimar excessivamente.

Em pouco mais de 16 meses na Secretaria da Saúde, Almeida foi acusado de ter assediado uma jornalista, ter feito gastos elevados e no momento impróprio (o Estado enfrenta uma grave crise) montar a nova sede de sua pasta (o chamado “Taj Mahall”) e forjar uma inauguração do Centro de Nefrologia. Foi muita exposição negativa. Mas vinha conseguindo sobreviver.
Mas os problemas existentes no funcionamento do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e as irritações vividas por populares que procuravam a casa de saúde foram impacientando mais ainda o governador Belivaldo Chagas, que lhe dispensou da equipe e quer em seu lugar alguém que retire a Saúde do caos.
Belivaldo fez questão de deixar claro que Jackson nada perdeu e destacou que não discutiu a exoneração de Almeida com o primo. Garante que tudo não passou de uma questão de estilo. Mas a imagem que passa para a sociedade é de que Almeida Lima seria um grande trapalhão do governo. Isso irritou o ex-secretário, que nas suas últimas entrevistas mostrou-se magoado.


Almeida declarou, entre outras coisas, que “Deus nos livre de ter Belivaldo por mais quatro no Governo” e deu a entender que o problema do governo é o próprio governador. Isso induz a avaliar que estaria partindo para o bloco da oposição. Mas, sem cargo em mãos, o poder de Almeida fica restrito à família e alguns poucos amigos.











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