01/08/2019 as 08:18

ARTIGOS

EDITORIAL: Armadilhas internacionais

Essas armadilhas poderiam prejudicar um futuro acordo com os Estados Unidos.


O presidente Jair Bolsonaro é um apaixonado pelos Estados Unidos e não nutre grandes simpatias pela Europa. Isso ele tem deixado claro com muita frequência e manifestou ontem a sua preocupação com possíveis “armadilhas” no acordo comercial do Mercosul com a União Europeia. Essas armadilhas poderiam prejudicar um futuro acordo com os Estados Unidos.


Ele expôs essa posição para jornalistas após se reunir, no Palácio do Planalto, com o secretário de comércio norte-americano, Wilbur Ross, que cumpre agenda oficial no Brasil. Bolsonaro deseja privilegiar a relação Brasil/Estados Unidos. O Governo dos EUA nos trata como uma possessão e vê a América como um bem dos americanos do norte.


Bolsonaro, que não tem papas na língua, afirmou que “todo mundo está preocupado com algumas armadilhas, todo mundo preocupado com isso aí, que você talvez possa, no acordo [União Europeia] com Mercosul, ter algum problema ao assinar um acordo com os EUA. Isso vai em cima até numa questão de inteligência, todo mundo tem que se preocupar com isso daí, tem que saber se porventura há armadilhas ou se não há. A gente parte do princípio que não há”.


Anteontem, na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo, Wilbur Ross argumentou que há diferenças entre as exigências para comércio com a União Europeia e com os Estados Unidos. Nesse caso, parâmetros e padrões relacionados a diversos setores econômicos, bem como indicadores e regulação sanitária, por exemplo, poderiam travar um eventual acordo com o Brasil, já que o país pode ter aderido aos padrões europeus no acordo fechado recentemente entre o Mercosul e a União Europeia. Ele deixou claro que há interesse dos EUA em estabelecer livre comércio com o Brasil, mas pediu cuidado para que o país “não caia em armadilhas” que dificultem um acordo futuro com os americanos.


A advertência foi feita porque há diferenças regulatórias dos Estados Unidos com a Comissão Europeia em alimentos, químicos, automóveis, farmacêuticos, em todo tipo de setor. Os norte-americanos também têm problemas com a visão deles em indicadores geográficos de alimentos e em um monte de regulações sanitárias e fitossanitárias.


Ainda que esteja enfrentada uma grave crise, o Brasil ainda desperta muitos interesses.