18/05/2026 as 09:20
FÁBIO MITIDIERIO chefe do executivo também rebate críticas sobre o perfil de sua gestão e admite que teria acelerado decisões na area hídrica. Acompanhe o conteúdo completo:
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA
Em entrevista ao Jornal da Cidade, o Governador de sergipe, Fábio Mitidieri, faz um balanço do primeiro mandato, defende os investimentos em segurança hídrica e infraestrutura, comenta a relação com aliados e oposição e afirma que o estado “está no caminho certo” para um novo ciclo de desenvolvimento. O chefe do executivo também rebate críticas sobre o perfil de sua gestão e admite que teria acelerado decisões na area hídrica. Acompanhe o conteúdo completo:
JORNAL DA CIDADE - O senhor encerra o primeiro mandato com quais balanços mais importantes para Sergipe? O que ficou por fazer e por quê? FÁBIO MITIDIERI – Chegamos ao quarto ano de gestão com a consciência de que Sergipe avançou em áreas essenciais. Nós conquistamos Capag A, ampliamos investimentos, geramos emprego e colocamos o estado em um novo patamar de competitividade. Em 2025, Sergipe fechou o ano com 15.457 novos empregos formais e 358.143 trabalhadores com carteira assinada. Em 2026, o estado chegou ao quarto maior crescimento do país em empregos nos últimos 12 meses, com 18.845 novos postos. Na segurança, Sergipe consolidou uma transformação histórica. Saímos de um cenário muito difícil para sermos, pelo terceiro ano seguido, o estado mais seguro do Nordeste. Na inclusão social, fortalecemos programas como o Prato do Povo e alcançamos um marco importante: mais trabalhadores com carteira assinada do que famílias beneficiárias do Bolsa Família. O que ficou por fazer são desafios estruturais que não se resolvem em quatro anos, como segurança hídrica, saneamento e mobilidade. Mas temos projetos encaminhados e recursos assegurados.
JC – Como o senhor avalia o atual equilíbrio de forças entre os grupos políticos em Sergipe? Há uma reconfiguração do poder no estado?
FM – A política de Sergipe vive um momento de amadurecimento. A população não quer mais discurso vazio. Quer resultado, entrega, presença e capacidade de diálogo. Existe uma reconfiguração natural em torno de quem apresenta projeto para o estado. Tenho buscado construir uma base ampla, com prefeitos, deputados, lideranças e partidos que compreendem que Sergipe precisa estar acima das disputas pessoais.
JC – A relação com a Assembleia Legislativa tem sido tranquila? Houve momentos de tensão que o público não viu?
FM – A relação com a Assembleia é institucional, respeitosa e republicana. É claro que existem debates, divergências e ajustes. Isso faz parte da democracia. Mas sempre prevaleceu o diálogo. Tenho respeito pelos deputados, inclusive pelos que fazem oposição. O governo não pode ter medo do contraditório.
JC – Quais são os projetos que o senhor considera inegociáveis para um segundo mandato?
FM – Segurança hídrica é inegociável. Obras como a Adutora do Leite, a nova ETA do Poxim e outras intervenções precisam avançar, porque água é dignidade, saúde e desenvolvimento. Também considero fundamentais a Ponte Aracaju-Barra, a continuidade do Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves, a ampliação da rede de saúde e a geração de emprego.
JC – Como pretende conduzir a máquina pública durante o período eleitoral?
FM – Com responsabilidade, legalidade e respeito ao dinheiro público. A eleição tem seu tempo, mas o estado não pode parar. Vamos cumprir rigorosamente a legislação eleitoral e manter os serviços funcionando.
JC – Como está a relação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Sergipe tem recebido o apoio federal que merece?
FM – Minha relação com o presidente Lula é institucional e respeitosa. Sergipe tem sido contemplado em obras importantes e programas federais. Quando o Governo Federal ajuda Sergipe, quem ganha é o sergipano. Temos projetos no Novo PAC, investimentos em infraestrutura e recursos para segurança hídrica. Evidentemente, sempre queremos mais, porque Sergipe tem demandas históricas.
JC – Quais partidos e lideranças o senhor busca atrair para sua base em 2026?
FM – Busco atrair todos que queiram discutir Sergipe com seriedade. Minha base não será construída apenas por sigla partidária, mas por compromisso com um projeto de Estado.
JC – MDB e PT caminham juntos na sua aliança? Existe tensão entre essas forças?
FM – O MDB e o PT são partidos importantes, com história e representação em Sergipe. Naturalmente, cada partido tem seus debates internos. O meu papel como governador é dialogar com todos e manter o foco no que interessa: desenvolvimento, emprego, segurança e inclusão social.
JC – Recentemente, o senhor se reuniu com mais de 65 prefeitos. O que ocorreu neste encontro político?
FM – Foi um encontro de diálogo. São os prefeitos que vivem a ponta e escutam a população todos os dias. Tratamos de obras, convênios, saúde, infraestrutura, abastecimento e desenvolvimento regional. Também foi um gesto político importante, porque mostra confiança na condução do governo e no projeto que estamos construindo para Sergipe.
JC – Como avalia o grupo da oposição, liderado por Valmir de Francisquinho e Ricardo MarqueFM – Eu respeito a oposição. A democracia precisa de oposição. Mas o debate que eu quero fazer é sobre Sergipe, não sobre briga pessoal. A população vai comparar projetos, trajetórias, entregas e capacidade de governar.
JC – Sergipe enfrenta uma crise hídrica severa. Qual é o diagnóstico e o plano concreto?
FM – O problema hídrico de Sergipe é estrutural. Não começou agora e não será resolvido com improviso. Envolve crescimento urbano, sistemas antigos e necessidade de novas adutoras e estações de tratamento. Nosso plano combina obras emergenciais e estruturantes. Estamos investindo em novas adutoras, ampliação da capacidade de tratamento e projetos de longo prazo para garantir segurança hídrica.
JC – A concessão da Iguá garante fiscalização e punição?
FM – Sim. O contrato prevê instrumentos de fiscalização, cobrança, penalidades e acompanhamento por parte das agências competentes. A concessão não significa ausência do poder público.
JC – Sobre a denúncia de sabotagem em equipamentos da Iguá, o governo terá apuração independente?
FM – Qualquer denúncia dessa gravidade precisa ser tratada com seriedade, sem precipitação e sem politização. O governo defende uma apuração técnica, transparente e responsável.
JC – Esse episódio expõe um conflito entre estado e Prefeitura de Aracaju?
FM – Vejo como uma crise que exige responsabilidade de todos. A população não quer saber de disputa entre governo e prefeitura. A população quer água na torneira. Z JC – Existe prazo para normalização do abastecimento? FM – Eu entendo a angústia da população, mas seria irresponsável dar uma data sem respaldo técnico. O que posso garantir é que o governo está atuando diariamente para acelerar soluções e reduzir os impactos.
JC – Como responde às críticas de que o governo é mais administrador do que transformador?
FM – Eu respeito a crítica, mas discordo. Fazer Sergipe alcançar Capag A é transformação. Gerar emprego é transformação. Reduzir a violência é transformação. Levar comida para quem precisa é transformação. Transformação não é apenas uma obra com placa grande. É mudar indicadores e melhorar a vida das pessoas.
JC – Se pudesse mudar uma decisão tomada neste mandato, qual seria?
FM – Talvez eu tivesse acelerado ainda mais algumas decisões estruturantes, especialmente na área hídrica. Mas governar também é lidar com orçamento, projetos, licenças e etapas legais. Aprendi muito neste primeiro mandato e acredito que essa experiência me torna mais preparado para conduzir Sergipe nos próximos anos.
JC – Qual mensagem o governador quer deixar ao povo sergipano?
FM – Quero dizer ao povo sergipano que tenho consciência dos desafios, mas também muita confiança no futuro de Sergipe. Já provamos que é possível avançar com equilíbrio fiscal, geração de emprego, segurança pública, inclusão social e grandes obras. Ainda há muito a fazer, mas estamos trabalhando com seriedade, humildade e compromisso.