09/07/2018 as 15:15

Thaís Bezerra

TB entrevista: Ana Libório

Ana Libório é arquiteta sergipana, formada pela UFRJ em 1982.


A nossa entrevistada de hoje é Ana Libório, arquiteta sergipana, formada pela UFRJ em 1982, com especialização em Planejamento Urbano e Preservação de Monumentos e Conjuntos Históricos. Trabalha com o parceiro, também arquiteto, Gândara Jr. há 29 anos e tem três filhos: Frederico, Rudá e Nina. Foi articulista do Cinform e da Infonet, conselheira do CREA, CAU e Estadual de Cultura e presidente do IAB, Instituto de Arquitetos do Brasil-SE, em 2000/2001. Ela colocou o nome à disposição do partido como pré candidata a deputada federal. Boa notícia essa, de que mulheres politizadas e sérias como Ana Libório tenham coragem de tentar entrar na política para trabalhar para melhorar o nível que temos na atual realidade do nosso país. Vamos saber sobre o seu projeto político para as eleições de outubro próximo. 

 

Thaïs Bezerra - Qual o motivo para dividir uma carreira bem-sucedida como arquiteta e entrar numa disputa política?


Ana Libório – Thaís, sempre fui muito politizada, uma arquiteta com posições bem definidas quanto ao crescimento das cidades, preservação de patrimônio, meio ambiente... E como nosso escritório desenvolveu vários projetos para obras públicas, trabalhamos com muitos prefeitos, governadores... muitas reuniões com secretários, seu staf, e também fui assessora da Cultura duas vezes, então o ambiente me é bastante familiar.

 

TB - Por que decidiu entrar na política de novo já que você foi candidata a vereadora uma vez e não foi vitoriosa?


AL - A experiência foi punk, porém divertida: conhecer gente... carreatas, panfletar em sinal, jingle... quase morri de susto quando me disseram que precisava fazer um. Achava estranho, tinha vergonha de me ver estampada em bandeiras, carros, mas dá uma adrenalina gostosa e rendeu boas histórias e recordações. Além de tudo, acredito ser de suma importância ter arquitetos urbanistas no legislativo municipal, pois nós conhecemos a legislação urbana, porém ninguém nunca se habilita, daí resolvi sair do armário (risos) e assumir de vez esse meu lado. Segundo entendidos, para uma novata de campanha super modesta até que tive bom desempenho - 872 votos.


TB - E entrar pensando alto, almejando um mandato de deputada federal?


AL - Quando ingressei no partido Rede Sustentabilidade seria mais provável concorrer a deputada estadual, porém, quando via os números das campanhas e o preparo dos candidatos, me achava sem cacife para tanto, então desisti do assunto. Mas, em um domingo a tarde, numa reunião com Dr. Emerson e algumas mulheres mais o entusiasmo de Núsia, sua esposa, tudo mudou! Fiquei tão feliz com o convite que descobri que era exatamente isso o que sempre quis: representar Sergipe em Brasília. E caso o eleitor, assim, me der a honra, será com muita responsabilidade que irei exercê-lo, pois, como disse anteriormente, trabalhamos em muitos municípios, minha família é de Lagarto, então conheço bastante a realidade do Estado, seus problemas e potencialidades.

 

TB - Existe a lenda que mulher não vota em mulher. O que você diria sobre isso?


AL - Os números dizem que sim, somos mais da metade do eleitorado e com poucas representantes no poder, sendo a grande maioria delas eleitas com apoio masculino. Contudo, existem, hoje, diversos movimentos suprapartidários e apoiados pela OAB trabalhando pesado para reverter o quadro. Depende de nós sensibilizá-las a votar em mulheres. Precisamos botar ordem na casa!

 

TB - Com noventa por cento dos políticos brasileiros desacreditados, o que você fará para angariar a simpatia do eleitor?


AL - Momento difícil... por isso tanta gente preparada desiste! Eu, particularmente, estou em busca do eleitor desiludido aquele que pensa em desperdiçar o voto... O número é crescente e as últimas eleições e pesquisas comprovam isso. Sabemos que esse é o caminho mais curto para as coisas ficarem do jeito que estão! Daí voltamos ao começo: minha vida como arquiteta, apesar do trabalho duro, é bastante confortável mas um lado justiceiro, inconformista me faz encarar a empreitada. Me revolta muito ver autoridades trapaceando até na merenda escolar, nos hospitais, nas escolas... Porém o que mais me comove e mobiliza, sou mãe, é a mortandade dos rapazes negros e pobres e a gravidez adolescente das meninas vulneráveis que acredito estar na base da violência urbana...